5g

Estamos em constantes transformações e na área de Telecom e, neste momento vivenciamos duas inovações que irão transformar de modo significativo nossas vidas. A 5ª geração em telefonia móvel, ou simplesmente 5G e a reboque está chegando também à Internet das Coisas (IoT – Intertnet of Things).

Segundo dados da Cisco, a quantidade de usuários móveis irá passar de 4,8 bilhões em 2015 para 5,5 bilhões em 2020, mas o número de conexões móveis irá saltar de 7,9 bilhões para 11,6 bilhões, sendo que a parcela de vídeo será responsável por ocupar 75% do tráfego em 2020 contra os 55% em 2015.

É para atender a toda essa demanda de tráfego e velocidade que o 5G virá, pois a tecnologia envolvida nesta fase irá propiciar uma revolução não somente na comunicação entre os aparelhos, mas também em nossas vidas.

A velocidade do 5G deverá ficar em 10 Gbps, a latência será reduzida para 1 milissegundo, teremos assim uma redução no consumo de energia ao redor de 90%. Tudo isso irá possibilitar alcançarmos até 1 milhão de conexões por km2, permitindo que mais dispositivos acessem a internet simultaneamente.

A fim de otimizar o uso do espectro de RF a frequência a ser utilizada será na faixa 24 a 28 GHz e uma parcela em torno do 3,5 GHz. Com a utilização destas faixas de frequência, o sinal de propagação terá dificuldades em superar obstáculos e necessitará de um número maior de antenas repetidoras de sinal. No Brasil, a ANATEL já comunicou ao mercado que em março de 2020 fará o primeiro leilão de faixa para uso do 5G, ou seja o 5G está próximo.

Segundo estudo apresentado pela Corning durante a Fiber Broadband LATAM Chapter 2019, na implantação do 3G tínhamos a distância entre os sites ao redor de 10 km, o que propiciava cobertura de uma área de 100 km2. Com o advindo do 4G a distância entre sites reduziu para 2 km e a cobertura para a mesma área necessita de 25 sites, ou seja, temos a necessidade de 25 vezes mais fibra para propiciar o atendimento. Do modo análogo, para o 5G teremos sites a cada 0,5 km totalizando 400 sites para a mesma cobertura do 3G, onde necessitaremos 16 vezes mais fibra para atender esses sites.

Diante disso, observamos que a princípio o 5G será implantado somente em áreas urbanas densamente povoadas e com uma boa infraestrutura de fibra. Sabemos que as grandes operadoras não possuem essa capilaridade em fibras em pequenas cidades, mas nestas localidades temos as redes dos provedores locais (ISP) que possuem esta cobertura. Será que não poderia haver uma parceria entre as operadoras e os ISPs para de algum modo, compartilharem as redes nesses locais carentes de fibra por parte das grandes operadoras e o 5G possa ser implantado rapidamente? Poderia isso ser um novo nicho de mercado para os ISPs?

Em paralelo a vinda do 5G temos a IoT, que pode ser definida como a comunicação máquina a máquina (M2M) via internet, que possibilitará a troca de informações e dados entre diferentes objetos para que as tarefas diárias sejam realizadas de um modo mais eficiente.

Esses dados e informações sempre estiveram presentes em nossas vidas, porém eles nunca foram coletados, analisados e trocados entre si. Isto é o que a IoT irá propiciar, e para tanto teremos que coletar, armazenar e tratar uma quantidade enorme de dados que irão nos ajudara a melhorar a qualidade de vida.

Imagine por exemplo se tivermos sensores na iluminação pública, onde saberemos o horário ideal para ligá-las e desligá-las e onde as lâmpadas queimadas necessitam ser substituídas.  E na agricultura saber através de sensores qual a necessidade de cada terreno, quantidade de sementes, umidade e consequentemente na irrigação correta economizando água. No transporte com os veículos autônomos, na logística com o gerenciamento eficiente da frota e novas alternativas de entrega (drone por exemplo) e separação dos itens (robôs). Na medicina com o uso de robôs para a realização de cirurgias remotas e monitoramento constante de pacientes pelos seus médicos. A concretização das Smart Cites e das casas inteligentes, além dos sistemas de monitoramento e segurança e os Wearables (vestíveis). Tudo isso é a Internet das Coisas (IoT) e está diretamente ligada a sustentabilidade do nosso planeta (mais controle, otimização, agilidade, praticidade, melhoria de processos, economia de tempo, impacto no comportamento).

Segundo o Instituto Gartner, desde 2017 existem mais objetos na internet do que as 7 bilhões de pessoas no mundo e estima-se que em 2020 tenhamos 12 bilhões de dispositivos conectados à IoT, o que demonstra a importância de se refletir sobre esse processo.

Mas, no momento conseguimos visualizar que teremos 2 problemas básicos e complexos de serem tratados. O primeiro seria o Big Data, problema que muitas empresas já enfrentam e ou terão que enfrentar no que se refere a como armazenar, rastrear, analisar e fazer uso dessa grande quantidade de dados produzidos. O segundo grande problema refere-se a Segurança e Privacidade, ou seja, a maior preocupação é em relação à segurança e privacidade dos sensores usados em IoT e dos dados que eles geram, armazenam e transferem. Com bilhões de dispositivos conectados entre si, o que as pessoas podem fazer para garantirem que suas informações irão permanecer seguras e em sigilo?

Com relação a conexão dos sensores a internet uma parte deverá ser feita diretamente através da rede 5G, mas também teremos uma quantidade que continuarão a serem conectadas a internet por meio das redes locais as quais em parte serão conectadas pelos provedores locais (ISPs). Devemos lembrar que além da tecnologia GPON ainda temos por vir a 10GPON que aumentara a velocidade das redes locais.

Em suma, ao nosso ver, haverá mercado para todos, seja uma grande operadora ou um pequeno provedor. Bastara simplesmente se adaptar ao novo modelo de negócio, onde será necessária uma grande quantidade de conexões em vários tipos de redes e consequentemente a interligação entre elas.

Por Marco Paulo Giannetti

Coordenador Técnico da Fibracem