COMO APLICAR OS TUBOS TERMOCONTRÁTEIS?

Neste artigo, Marco Paulo Giannetti ensina como aplicar corretamente os tubos termocontráteis. Confira!

Processo de aplicação do tubos termocontráteis

O processo de aplicação/contração dos tubos termocontráteis apesar de ser antigo e bem conhecido, necessita de alguns cuidados especiais e muita atenção.

O tubo termocontrátil possui internamente uma camada de cola chamada de “hotmelt”, ou “cola quente”, onde a mesma se liquefaz quando da aplicação do calor e flui entre o cabo e o tubo. Essa cola, garante a estanquidade da vedação da entrada dos cabos preenchendo os interstícios que porventura existam e que a contração do tubo não consegue vedar.

O primeiro passo é lixar a superfície da base da caixa onde o tubo será aplicado. O cabo também deve ser lixado em uma região aproximada de 10 cm a partir da base.

Deve ser lembrado que antes de prender os cabos pelo elemento de tração, deve ser inserido os tubos termocontráteis. Existe um sentido de colocação destes tubos. Olhando internamente, verifica-se a existência da cola hotmelt. Em uma das extremidades ela vai até o final e na outra existe um espaço sem a presença da cola. Este lado que não tem a cola deve ficar voltado para o lado da base da caixa.

Uma vez posicionado corretamente os tubos e os cabos fixos pelo elemento de tração, faça marcas no cabo após o término dos tubos corretamente posicionados (encostando no fundo da base).                                               

A função do papel aluminizado é proteger a capa do cabo quando da aplicação do calor sobre os tubos. Deste modo aplique-os sobre a capa do cabo tomando-se como referencias marcas efetuadas no item anterior referente ao final do tubo. Somente um comprimento de aproximadamente 1,0 cm deverá ficar sob os tubos. O maior comprimento do papel aluminizado deve ficar sobre o cabo para protegê-lo do calor.

Caso tenha mais de um cabo na entrada, é necessário o uso de um “clip” para garantir a estanquidade da entrada dos cabos. A parte alaranjada do clip é também uma cola hotmelt e ela derrete e flui entre os cabos justapostos garantindo a vedação, enquanto o tubo se contrai e aperta os cabos diminuindo os espaços. Por esse motivo sempre temos uma parte da cola saindo para fora dos tubos.

Para manter os cabos justapostos é interessante juntá-los por meio de uma abraçadeira plástica localizada uns 5,0 cm após o término da fita de alumínio.

O passo seguinte é o mais importante e requer cuidado, atenção e paciência para sua execução, pois iremos tratar da contração dos tubos termocontráteis por meio da aplicação de calor.

O ideal é o uso de um soprador térmico o qual possui uma temperatura mais baixa e controlada do que se usar um maçarico.

Se for utilizar um maçarico, a chama do mesmo deve ser na cor alaranjada, pois a cor azul apresenta uma temperatura muito elevada e pode queimar/ danificar o tubo termocontrátil.

Deste modo, devido a importância e aos cuidados deste item, iremos apresentar algumas observações sobre as chamas dos maçaricos.

Maçarico & Chama

Quando vamos cozinhar algum alimento em nossas casas, utilizamos a combustão do gás de cozinha. Uma das coisas que podemos observar na chama resultante da combustão desse gás é que normalmente a cor dela é um azul bem claro. Porém, na maioria das reações de combustão, como, por exemplo, na queima de uma vela, a chama se apresenta na cor amarela.

 Daí surge a pergunta:

“Se todo fogo é resultado de uma reação de combustão, por que algumas chamas possuem cores diferentes?”

As reações incompletas produzem menor energia que a combustão completa. Isso explica a diferença entre as cores das chamas, pois a chama amarela, característica da combustão incompleta, é de menor energia. Já a chama azul é característica de uma combustão completa, com maior energia.

Isso explica também a formação de fuligem pela chama da vela (foto abaixo), que é o carbono tido como produto da combustão incompleta.

Mas por que, no bico de Bunsen ou em um maçarico, é possível conseguir chamas amarelas e azuis, sendo que o combustível não muda?

No caso do bico de Bunsen, isso é conseguido por meio da regulagem da entrada do gás e do ar. Se a janela ficar fechada, causando a entrada de uma pequena quantidade de ar, a chama obtida será a amarela, porque terá pouco oxigênio para realizar a combustão completa. Já se a regulagem da mistura gás-ar for adequada, obtemos uma chama azul.

É possivel obter basicamente dois tipos de chamas no bico de Bunse: a amarela e a azul. Veja na tabela abaixo as características de cada uma.

É possível obter basicamente dois tipos de chamas no bico de Bunsen e no maçarico: a amarela e a azul.

Então, qual a cor da chama que devemos usar no maçarico para fazer a contração dos tubos termocontráteis?

Devemos usar a chama na cor amarela / alaranjada.

Mas como se faz para obter esse chama?

Basta diminuir a entrada de ar no bico do maçarico, ou seja, no bico devem existir furos para a entrada de ar. Se estes furos forem tapados ou diminuídos, a chama irá passar de azul para laranja.

Uma vez definida a cor da chama a ser utilizada, vamos iniciar o processo de contração dos tubos termocontráteis.

Com o soprador térmico ou o maçarico com a chama alaranjada, realize a contração do tubo termocontrátil iniciando SEMPRE pela extremidade próxima à base da caixa aquecendo toda a circunferência.

Na sequência, faça o aquecimento nas demais partes do tubo  a partir da base em direção aos cabos, aquecendo toda a circunferência. A contração do tubo deve ser uniforme em todos os sentidos, pois caso isso não ocorra o tubo pode ser danificado e ocorrer o deslizamento do mesmo.

Chegando à região do clip, faça o aquecimento de modo que o adesivo do clip  flua entre os cabos podendo ocorrer uma saída do mesmo para fora.

A contração dos tubos deve ser feita preferencialmente no sentido horizontal para evitar que a cola hotmelt caia para fora ou para dentro da base da caixa.

Observação final

Os tubos termocontráteis possuem um limite (diâmetro) de contração. Caso o cabo a ser utilizado possua um diâmetro menor do que o limite mínimo do tubo, o cabo deverá ser “engrossado” com o uso preferencial de fita de auto fusão até que o diâmetro final (cabo + fita) seja maior do que o diâmetro final do tubo.

Por exemplo, um tubo 65/19, quer dizer que o tubo normal possui um diâmetro de 65 mm e ao ser contraído, o mesmo passa a ser de 19 mm. Um tubo 28/6 significa um diâmetro inicial de 28 mm e um final de 6 mm. Se tiver um cabo menor do que 6 mm, o mesmo deverá ser “engrossado” para que seja garantida a vedação ao final do processo.

Ao final da atividade, a caixa deverá ser fechada e testada a sua hermeticidade, ou seja, verificar se não tem vazamento o que permite a entrada de água na mesma. Este teste consiste em pressurizar a caixa e verificar se tem vazamento.

Utilizando-se por exemplo uma bomba de encher pneu de bicicleta, a mesma deve ser acoplada ao bico da caixa e colocado ar para dentro. Se tiver uma vasilha com água e puder mergulhar a caixa por completo é o ideal. Deve-se verificar se ocorre vazamento nas entradas dos cabos, na região de conexão da base e cúpula pela abraçadeira e no próprio bico.  Detectado vazamento, deve-se verificar o motivo e fazer a correção.

Se não houver uma vasilha com água, o teste pode ser feito usando um pano úmido com água e sabão e colocar a espuma ao redor dos pontos prováveis de vazamento (cabos, abraçadeira de fechamento e bico) a exemplo do que é feito em casa para verificar se tem vazamento em botijão de gás.

Ao final deve-se verificar se existe ar dentro da caixa, pois o mesmo pode ter vazado antes de fazer o teste com a água ou o sabão e deste modo não haverá bolhas dando um falso veredito de que a caixa não tem vazamento.

 Existindo ar no interior da caixa ao final da verificação, o mesmo deve ser esgotado para que não ocorra acidente quando a abertura da caixa futuramente.